As entidades que representam pequenos produtores de cana-de-açúcar no Paraná já encaram a mecanização em um futuro próximo e sem volta. Mesmo para áreas não mecanizáveis, a perspectiva é de abandono da prática enquanto não surgirem evoluções tecnológicas que possibilitem o uso de colheitadeira em terrenos acidentados ou com declives acima de 12%. No entanto, eles ainda aguardam novas variedades da planta que tenham despalha mais rápida, soqueiras mais resistentes ao maquinário e manejo que evite a compactação do solo causado pelo peso dos equipamentos.
O presidente da Canapar - Associação dos Fornecedores e Plantadores de Cana de Paranapanema (Canapar), Paulo José Buso Júnior, diz que a queima favorece o cultivo por dificultar a proliferação de pragas, principalmente no solo. "Sem isso, vai requerer mais quantidade de inseticidas e ainda dependemos de estudos sobre essa questão."
De acordo com Buso Júnior, o estudo sobre manejo já é feito, mas está em fase inicial. Ele considera que já houve aumento da mecanização nos últimos cinco anos no Estado, que deve culminar com uma maior seletividade de produtores no setor. "Os mais ligados à indústria vão sobreviver", cita. "Mesmo antes dessa batalha jurídica acabar, acredito que teremos uma composição entre governos estadual, federal e entidades que vai reduzir a queima", completa.
O vice-presidente da Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana), Paulo Leal, representa no Paraná a entidade que atua, principalmente, na defesa dos pequenos produtores. "É com eles que mais me preocupo", diz. Ele lembra que a mecanização da cana apareceu como uma "tábua de salvação" ao setor para reduzir custos, mas que não foi o que ocorreu. "Em São Paulo apressaram o processo mais do que deveriam. Percebemos que nossas variedades de cana não estão adaptadas à colheita mecanizada, que a planta não dura quatro cortes e que nossas sistemáticas no campo, como a fila de plantio, não estavam adaptadas", conta.
Leal diz que o resultado acabou por ser alta de até 30% nos custos. "Isso é algo que vai se resolver como ocorreu com a soja, com mais tecnologia", diz. Ele cita o Nordeste do País como ponte para os agricultores menores. "Lá, são 96% de pequenos produtores em relevo pesado e deve ser o último lugar a abolir a queima, mas é de lá que deve vir a tecnologia para o pequeno produtor do Paraná."
Para o vice da Feplana, a tendência é que agricultores com áreas menores de 50 hectares deixem a cultura até que sejam criadas soluções. "O IAC (Instituto Agronômico de Campinas) já desenvolve cana pré-brotada para o plantio mais fácil. São boas tecnologias, mas não vão surgir em curto prazo", considera. Ele lembra que os produtores independentes de cana são 60% do total do País e que não têm fôlego para se manter no mercado sem boa rentabilidade. "Um bom estímulo poderia ser o Moderfrota, mas isso é de médio para grande prazos", diz, ao citar o programa federal que facilita a compra de maquinário. (F.G.)