Produtores de milho safrinha de todo o Paraná – e principalmente da região Norte do Estado – já estão com os olhos voltados para o céu nesta semana que se inicia. Isso porque existe a expectativa de que após semanas de estiagem forte as chuvas realmente cheguem em diversas regiões e tragam um alento para as lavouras, que se encontram em diferentes estágios, dependendo do local.
Na região de Londrina, por exemplo, a última chuva foi de míseros 1,5 milímetro (mm), no dia 1º de abril. A média pluviométrica gira em torno de 112 mm neste mês. De acordo com a agrometeorologista do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) Angela Beatriz Costa havia um bloqueio atmosférico, que agora rompido deve deixar que uma massa de ar fria atue na região, com chuvas e queda de temperatura a partir de hoje. "Ficamos com praticamente todo o mês de abril sem precipitações. A situação deve começar a mudar para as lavouras nesta semana", salienta.
O Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura do Estado do Paraná (Seab) deve soltar nesta quinta-feira números exatos que apontam o tamanho do prejuízo que a estiagem trouxe aos produtores de milho. O técnico do Deral Edmar Gervásio comenta que o grão que está no campo sofreu com o calor e a falta de chuva, sendo a região Norte uma das mais prejudicadas.
Números do dia 11 de abril apontam que 31% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo, 36% floração, 32% frutificação e 1% em maturação. "O período mais crítico sem chuva é do desenvolvimento do grão, na fase de frutificação. O importante é que as precipitações começaram em algumas cidades do Oeste, Guarapuava e Pato Branco. Isso pode fazer com que a situação melhore um pouco, com algumas plantas se recuperando nesta semana".
No levantamento do mês de março, existia a expectativa de uma safrinha de milho de 12,6 milhões de toneladas, que seria recorde histórico com alta de 6% frente ao ano passado. Valor total que bem provavelmente deve sofrer retração na estimativa da quinta-feira. "Mesmo se houver quebra, ainda acredito que o valor fique acima das 12 milhões de toneladas. Vamos aguardar os dados consolidados sobre como as lavouras vão se comportar".
De cortar o coração
Produtor na região de Guaravera (zona sul), João Katsumi Nazima plantou 52 alqueires de milho e está na expectativa de colher 13 mil sacas (780 toneladas do grão). Entretanto, para que este número, de fato, se consolide, ele precisa que chova em sua áreas hoje sem falta. "Plantei um pouco mais tarde e a lavoura está resistindo, mas é de cortar o coração esta situação. Precisamos muito desta chuva. Se ela não acontecer amanhã (hoje), aí vai ficar complicado atingir estes valores iniciais. A perdas podem ser de 30%, 50% ou até 100%, dependendo de como o clima se comportar", finaliza ele.