A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) anunciou ter detectado recentemente a presença do ácaro-vermelho-das-palmeiras no estado do Sergipe. Conhecido cientificamente como Raoiella, a praga ataca mais de noventa espécies de plantas e ainda não há agroquímicos registrados no Brasil para o seu controle.
Essa espécie de ácaro é encontrado principalmente em coqueiros, bananeiras, dendezeiros e outros tipos de palmeiras. A Raoiella causa o amarelecimento severo e necrose das folhas, reduzindo drasticamente a produtividade – em plantas novas e mudas em viveiros.
“Ações emergenciais são necessárias para evitar prejuízos aos cultivos de palmeiras, como o coqueiro, e as musáceas como a bananeiras e outras plantas ornamentais em Sergipe”, alerta Adenir Vieira Teodoro, pesquisador entomologista da Embrapa Tabuleiros Costeiros, sediada em Aracaju (SE).
O entomologista Adenir Teodoro alerta para o alto poder reprodutivo do ácaro-vermelho-das-palmeiras, pois uma fêmea pode colocar até 160 ovos: “Embora minúscula, a praga é facilmente identificada a olho nu, pela sua cor vermelha intensa, nas partes de baixo dos folíolos dos coqueiros, especialmente onde já estão amareladas. No entanto, é mais fácil com uso de lupa de bolso de pelo menos 10 vezes de aumento”.
A Embrapa está iniciando pesquisas sobre a eficiência de óleos brutos vegetais, como o de algodão, no controle do ácaro-vermelho-das-palmeiras. Esses óleos vêm sendo usados no controle alternativo de outras pragas do coqueiro, como o ácaro-da-necrose, e possuem como vantagem adicional a baixa toxicidade a inimigos naturais.
De acordo com o pesquisador da Embrapa, existe controle biológico natural, pois o ácaro-vermelho-das-palmeiras tem vários predadores como Joaninhas, crisopídeos, além de ácaros, também predadores, e fungos que causam doenças a ácaros. Essas opções também serão pesquisadas pela Embrapa para compor programas de manejo integrado desta praga com o uso de óleos brutos vegetais associados ao controle biológico natural.
Para prevenção da praga, ele recomenda o manejo integrado com diversas medidas complementares. Recomenda-se a aquisição de mudas não atacadas em casos de plantios novos e uso de cerca viva, pois o ácaro é transportado pelo vento. No entanto, a implantação de cercas vivas, além de ser onerosa pode não ser suficiente. Caso a plantação já esteja atacada, recomenda-se a coleta e destruição de folhas muito atacadas, evitar transporte de material vegetal e sacarias infestadas.