A família Ogura resolveu comemorar o Natal de maneira diferente neste ano. Para se aproximar da tradição cristã, decidiu que era hora de abandonar a árvore natalina artificial e adquiriu um pinheiro vivo para a decoração festiva. “Não tem comparação de como ficou mais bonito, até a sala ficou mais cheirosa”, celebra Sandra Mara Ogura, a matriarca familiar.
A mudança dos Ogura destoa do cenário de mercado de árvores de Natal naturais, com demanda cada vez mais escassa. A tendência é confirmada por produtores e varejistas, que afirmam que a concorrência ante árvores de plástico chinesas, somada ao pouco tempo disponível dos consumidores para cuidar de uma árvore natural, é o principal motivo para a baixa na procura.
“Nos últimos dez anos, houve muita importação de árvores artificiais da China a preços muito baixos. Com isso, percebemos uma queda em torno de 70% a 80% na procura pelos pinheiros vivos de Natal”, relata Marcelo Mendes, proprietário da Belvedere Plantas, indústria de plantas ornamentais e frutíferas de Curitiba que vende para o atacado e para floriculturas.
O preços de uma árvore natural de Natal varia de R$ 70 a R$ 250, dependendo do porte. Uma árvore de plástico, vendida até em supermercado, custa a partir de R$ 20.
A situação é semelhante na ponta do balcão e tem levado distribuidoras a reduzir o espaço dedicado aos “pinheirinhos”. “A cada ano diminui um pouquinho. Nós até tentamos fazer campanhas para incentivar o uso e mostrar os benefícios de uma planta natural. Mas houve queda muito grande quando começou a chegar a concorrência forte dos produtos chineses”, corrobora Robson Nikkel, gerente comercial da Chácara Flor da Suissa, empresa localizada no Boqueirão, em Curitiba.
Na floricultura Verde Flora, também da capital, o número de unidades comercializadas caiu de 60, em 2012, para 40 no ano passado. “A cada ano nós diminuímos dez unidades vendidas”, afirma Bruno Allan Corteze, um dos proprietários do estabelecimento. Nem a proximidade do maior centro consumidor do estado tem ajudado.
Para o gerente comercial da Chácara Flor da Suissa, a falta de tempo dos consumidores de hoje em dia é outro fator que estimula a troca por pinheiros natalinos artificiais. “O pinheiro vivo de Natal exige cuidados rotineiros, mas o pessoal não costuma ter muita paciência”, afirma Robson Nikkel. Apesar disso, ele garante haver um público fiel aos pinheiros naturais. “Sempre tem o pessoal que acha mais tradicional e fiel ao espírito natalino”, diz.
Produção complexa
O processo de cultivo dos pinheiros comercializados para as decorações de Natal é bastante complexo e a produção também é realizada para o mercado de projetos paisagísticos. Pertencentes ao grupo das plantas coníferas, as árvores passam por uma série de processos e podem levar até quatro anos para atingir o tamanho adequado.
“As plantas são multiplicadas por meio de pedaços do galho da planta matriz, que são colocados em um viveiro para desenvolver raízes e se tornarem mudas. Depois, ficam dentro de uma embalagem por cerca de um ano para que possam crescer a fim de suportar intempéries. Somente depois disso tudo é que as plantas são levadas para o campo, onde ficam por mais dois ou três anos até que atinjam o tamanho ideal”, explica o proprietário da Belvedere Plantas, Marcelo Mendes.
Entre as vantagens da utilização de um pinheiro vivo para a decoração de Natal está a possibilidade do uso contínuo da planta, desde que sejam tomados todos os cuidados. “Durante o uso interno, é importante que as árvores fiquem perto de janelas para que recebam luz do sol e também que sejam regadas adequadamente. As plantas suportam até 20 dias nessas condições. Passadas as festas, podem ser plantadas no jardim ou serem usadas como elemento decorativo externo”, afirma Mendes. Segundo ele, isso reduz o impacto do descarte de árvores natalinas artificiais, usualmente feitas de plástico e, portanto, não biodegradáveis.
Para Sandra Mara Ogura, nem a necessidade dos cuidados rotineiros, tampouco o custo acima dos produtos chineses seriam motivos que a fariam mudar de ideia. “Com o pinheiro vivo, vamos ter um Natal mais alegre este ano”, celebra.