Temperaturas elevadas e chuvas irregulares registradas desde o início da semeadura da safra 2015/16 de soja, em setembro, em Mato Grosso, já começam a evidenciar os problemas sobre as lavouras. Ontem, a consultoria AgRural divulgou nova estimativa de safra para o país e revisou para baixo a produção mato-grossense. Como explica a analista Daniele Siqueira, a persistência de umidade insuficiente em algumas áreas, imputou corte de uma saca por hectare em relação a novembro, reduzindo a expectativa para 51,5 sacas.
A analista frisa que apesar de o plantio ter ocorrido sobre muita instabilidade e de as áreas semeadas terem ficado longos períodos sem chuvas ou sem umidade ideal, a soja ainda apresenta bom potencial produtivo, “mas, a manutenção depende das condições climáticas nos próximos meses no Estado, ou seja, da regularização das precipitações por todas as áreas produtoras de Mato Grosso”.
O plantio problemático da safra 2015/16, registrado em outros estados do Centro-Oeste como também na região do Matopiba, fez a AgRural revisar para baixo sua estimativa de produção de soja no Brasil. Calculada em 100,2 milhões de toneladas no início de novembro, ainda com base na linha de tendência de produtividade, a produção é estimada agora em 99,7 milhões de toneladas e já leva em conta as condições de plantio e desenvolvimento das lavouras em cada estado. Como reforça a analista, “a pequena redução se deve a ajustes negativos nas produtividades de Mato Grosso e do Matopiba, que foram parcialmente compensados pelo aumento dos números em outros estados, com destaque para o Sul e Sudeste do país”.
Em Goiás, as chuvas se regularizaram após o início problemático e a produtividade média é calculada em 50 sacas, 0,2 saca acima do número do mês passado. Em Mato Grosso do Sul, o clima é favorável e houve aumento de uma saca, para 52 sacas.
Após três safras seguidas de perdas por problemas climáticos, o Matopiba volta a ter plantio conturbado e pouca previsão de chuva em dezembro. Isso fez a AgRural reduzir a previsão de produtividade para a região, com quedas de 2,4 sacas no Piauí (para 45 sacas), duas sacas no Tocantins (para 48), 1,5 saca no Maranhão (para 46) e uma saca na Bahia (também 46 sacas).
Apesar de problemas pontuais por excesso de umidade, as lavouras se desenvolvem muito bem no Sul. No Rio Grande do Sul e no Paraná, foram feitos ajustes para cima de 0,7 saca por hectare, para 46 e 55 sacas, respectivamente. Em Minas e São Paulo, as chuvas demoraram a chegar, mas os dois estados receberam bons volumes em novembro e as previsões para dezembro são positivas. Por isso, suas produtividades foram elevadas em 0,7 e 2,4 sacas, para 49 e 50 sacas.
BRASIL - A produtividade do Brasil é calculada em 50,3 sacas, contra 50,5 sacas em novembro e 50 sacas por hectare na safra 2014/15. A área é estimada em 33 milhões de hectares, com aumento anual de 2,8%. A produção de 99,7 milhões de toneladas é recorde e supera a da safra passada em 3,6%.