By Marcelo Teixeira and Roberto Samora
SAO PAULO (Reuters) - As usinas de cana-de-acar do centro-sul do Brasil possivelmente no conseguiro moer o volume projetado de 590 milhes de toneladas da safra 2015/16, caso o fenmeno climtico El Nio se desenvolva na intensidade que est se prevendo, disseram fontes da indstria e meteorologistas.
H uma forte probabilidade neste ano de que o El Nio ocorra de forma mais intensa, o que normalmente significa um volume maior de chuvas no Sul do pas e menos precipitao no Norte.
"Um forte El Nio provvel, pelo menos at o fim de 2015", disse Corey Cherr, lder da rea de Agricultura e Pesquisa Climtica da Thomson Reuters Lanworth.
Para a safra de cana, mais chuva significa dificuldade de colheita, j que as mquinas no conseguem entrar nos campos, e problemas com a quantidade de acar nas plantas.
A regio centro-sul, que concentra cerca de 90 por cento da produo de cana do Brasil, j registrou um ms de maio mais mido. As chuvas ficaram de 30 a 40 por cento acima da mdia em So Paulo, Paran e Mato Grosso do Sul, segundo a Somar Meteorologia.
"As nossas simulaes vem mostrando que nos prximos meses as chuvas devem ficar acima da mdia", disse o meteorologista Tiago Robles, da Somar.
Segundo dados da Unica, o desempenho do setor na primeira quinzena de maio j foi prejudicado. A moagem no perodo ficou 26,5 por cento abaixo da registrada um ano antes, com a produo de acar caindo cerca de 36 por cento e a de etanol, 22 por cento.
"Esse um tema bastante relevante no momento", disse Julio Maria Borges, diretor da consultoria especializada Job Economia.
Ainda que as chuvas possam melhorar a condio de parte da safra que ainda est se desenvolvendo, potencialmente elevando os volumes para a parte final do ano, as usinas talvez no consigam processar esses volumes, que ficariam nos campos para a prxima safra.
"Quando comea a ter mais chuva, o tempo disponvel para moagem diminui. Ento as usinas operam por menos tempo e vo processar menos cana", disse Celso Torquato Junqueira Franco, presidente da UDOP (Unio dos Produtores de Bioenergia), entidade que rene usinas no Oeste Paulista.
Segundo ele, se a situao vista em maio ocorrer em outros meses, as usinas tero que estender o perodo de moagem para alm de novembro, quando normalmente elas estariam parando.
O setor tem uma capacidade nominal de 650 milhes de toneladas, observou Borges.
Mas muitas empresas reduziram suas programaes, algumas at mesmo paralisando unidades, devido baixa lucratividade nos ltimos anos.
Franco, que tambm diretor executivo da usina Pioneiros, do grupo Santa Adlia, disse que o impacto do El Nio poderia ser mais srio se a safra tivesse um perfil mais aucareiro, j que a umidade reduz o contedo de acar da cana.
Mas esse no o caso, com as usinas direcionando mais cana para a produo de etanol tambm neste ano, visando atender a maior demanda local.
Segundo ele, o nico lado positivo na situao um eventual efeito sobre os preos do acar, que poderiam subir com uma menor produo no Brasil.
Os preos do acar esto atualmente perto dos menores nveis em seis anos na Bolsa de Nova York, devido a um excedente global do produto.
"O El Nio a nica coisa no momento que pode reverter um cenrio de preos depressivos", disse Borges.
ReutersFonte:
Agrolink