Feirantes reajustam os valores para os consumidores ao alegarem que esto comprando caro
Llian Portela
Manaus - Os tradicionais produtos da mesa do consumidor esto com os preos em alta com a escassez provocada pelo perodo da cheia dos rios. De acordo com o Sindicato dos Feirantes do Estado do Amazonas, alguns itens alimentcios, como a banana prata, o fornecimento foi afetado, o que resultou em aumento gradual de at 50%, desde janeiro.
?A banana vem tendo reajuste por dois motivos: cheia do Acre, aonde 50% vem de l e a estiagem de Roraima, o nosso maior fornecedor?, explica o vice-presidente do Sindicato dos Feirantes, Deuticilian Barreto. O valor do cacho subiu de R$ 10 para R$ 15, o cacho. J a do tipo pacov, que antes custava R$ 17, hoje est entre R$ 25 a R$ 30, informou.
Segundo o vice-presidente, o aumento de preos dos produtos regionais como o maracuj, a mandioca, o mamo, s vo ser percebidos em um ms. ?As terras de vrzea que mais produzem vem alagando. Agora, essa falta no est to grande. Mas daqui a um ms as verduras como o cheiro-verde, couve, e as frutas como o mamo e o maracuj (que vem de Manacapuru e Iranduba), devem ter aumento?, disse.
De acordo com a comerciante Cludia Lima, que possui uma banca na Feira da Banana, na Manaus Moderna, esse aumento vem acontecendo desde janeiro. ?O cacho da banana pacov e antes dessa cheia, era R$ 17. Hoje custa R$ 23 e R$ 25. E muitas vezes, temos que vender de R$ 30, para poder tirar o nosso lucro?, disse.
Para o feirante Miguel Filho, o preo da banana prata era R$ 5. Hoje, est em torno de R$ 10 at R$ 15. ?Quase toda semana est tendo aumento porque a produo de Roraima est devagar?, disse.
O vendedor de banana frita Antonio do Rosrio Moreira, que trabalha h mais de 25 anos no ramo, critica os feirantes que, a seu ver, tentam obter maior lucro com a escassez. ?Est muito caro, mas nunca baixou. Acho que os feirantes se aproveitam da ocasio para ganhar dinheiro?, disse, acrescentando que a banana pacovan verde mais cara, custa em torno de R$ 60.
O presidente da Federao da Agricultura e Pecuria do Amazonas (Faeam), Muni Loureno Silva Jnior acredita que aps a situao climtica se normalizar, os preos de alguns alimentos, principalmente os regionais, devem voltem a cair. ?A tendncia que, quando passar essa situao climtica, haver uma oferta maior dos alimentos e o preo dever recuar?, disse.
Segundo o comerciante do ramo varejista Srgio Reis, o aumento dos alimentos j era esperado por conta da cheia. ?Quem compra as verduras e frutas no atacado, hoje tem que vir de madrugada na feira Manaus Moderna. Antes, voc ainda conseguia comprar quando chegasse s 8h?, disse.
Importados
Outros alimentos adquiridos no Sul e que hoje pesam no bolso do consumidor, por causa da diminuio da produo, so a cebola e o alho, neste caso, resultado da estiagem que afetou aquelas regies. ?A falta de chuvas em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, e o final de safra vem diminuindo a produo desses dois produtos no Brasil?, disse o comerciante.
Para obter melhores preos, o empresrio tenta importar da Argentina e da Holanda, a cebola e o alho, da Espanha, China e Argentina. ?Por causa da alta e instabilidade do dlar, isso vem encarecendo muito esses produtos?, disse. De acordo com o comerciante, a saca de 19 quilos de cebola vem subindo toda semana. ?Na semana passada, era R$ 55, mas agora passou para R$ 65 e semana que vem vai para R$ 75?, disse, afirmando que esse preo tambm vale para o alho.
Perdas
De acordo com dados do levantamento de perdas agropecurias elaborado pelo Instituto de Desenvolvimento Agropecurio e Florestal Sustentvel do Amazonas (Idam) referente a cheia de 2015, o valor de perdas na cultura de mandioca para produo de farinha (calculado em toneladas) chega a pelo menos R$ 18,6 milhes. Para a cultura da banana o prejuzo acumula R$ 7,8 milhes.
Os municpios mais afetados com as perdas na farinha de mandioca esto situados no Alto Solimes, como Tabatinga, que perdeu 301,75 toneladas, informa o rgo. Os outros localizados nas calhas dos rios Purus e Juru tambm enfrentam prejuzos, informa o Idam.
D24AM.comFonte:
Agrolink