Marcelo Brando - Reprter da Agncia Brasil Edio: Stnio Ribeiro
Terminou sem acordo a reunio entre caminhoneiros e representantes do governo nesta quarta-feira (22), em Braslia. Os caminhoneiros buscavam a aprovao de uma tabela de frete mnimo, o que no ocorreu. Protestando muito, os trabalhadores saram da reunio dizendo que voltaro a fazer greve em todo o pas.
No dia 26 de maro, uma reunio entre governo, caminhoneiros e embarcadores terminou sem acordo. Na ocasio, o ministro dos Transportes, Antnio Carlos Rodrigues, disse que o governo pediu prazo para analisar a proposta de tabelamento. Na reunio de hoje, no entanto, o governo rejeitou a criao do frete mnimo.
Ao ouvirem a posio de Rodrigues e do ministro da Secretaria-Geral da Presidncia da Repblica, Miguel Rossetto, os caminhoneiros abandonaram a reunio, protestando e gritando: ?O Brasil vai parar!?. Eles esperavam que o governo considerasse a autorizao de uma tabela de fretes, uma vez que j havia afastado a possibilidade de reduzir o preo do leo diesel, outra reivindicao dos caminhoneiros, exposta na paralisao de fevereiro.
A tabela de frete mnimo, buscada pelos caminhoneiros, aumentaria em torno de 30% o valor do frete praticado hoje. Eles alegam que esse valor necessrio para cobrir os gastos com o transporte e proteg-los de oscilaes do mercado que, segundo eles, costumam repassar a baixa lucratividade no preo do frete.
?Essa tabela garantiria a cobertura de todos os gastos do transporte. Caso algum problema venha a acontecer no agronegcio, por exemplo, que no seja o transporte a pagar por isso. Que no possa ser contratado um frete abaixo do custo. Essa uma tabela de custo e no de lucratividade?, explicou Gilson Baitaca, representante dos caminhoneiros autnomos.
A tabela sugerida pelo governo seria apenas referencial, ou seja, no teria cumprimento obrigatrio. ?Ns, do setor, vivendo isso todo dia, sabemos que uma tabela referencial, no obrigatria, no ser cumprida. Nunca foi?, disse Baitaca. ?Ns nos sentimos derrotados nesse momento. Precisvamos de uma tabela mnima de preo de frete. E no foi isso que o governo deu. A tabela referencial no nos tem servido?, disse Janir Botelho, tambm representante dos caminhoneiros autnomos, na sada da reunio.
De acordo com Baitaca, os caminhoneiros voltam a paralisar as atividades a partir da meia-noite de hoje. Acampamentos j teriam sido montados aguardando o final da reunio e o comeo da greve. As rodovias sero interditadas para passagem de caminhes. Apenas a cidade de Xanxer, em Santa Catarina, poder ser abastecida pelos caminhes. O municpio foi atingido por um tornado na ltima segunda-feira (20) e pelo menos 10 mil pessoas foram atingidas, sendo que mais de mil esto desabrigadas.
O governo, no entanto, defende a ideia de que atendeu s reivindicaes dos caminhoneiros. Em nota, destacaram a sano da Lei 13.103/12, conhecida como Lei dos Caminhoneiros, alm da iseno de pagamento de pedgio para o eixo suspenso de caminhes vazios. De acordo com Rossetto, a tabela impositiva inconstitucional, e no pode ser aplicada.
?A tabela no tem apoio constitucional e impraticvel. Estudamos muito, nos dedicamos muito, no sentido de examinar uma srie de alternativas. No h autorizao constitucional para uma tabela impositiva. Estamos seguros de que a tabela referencial de custos cria uma base tcnica para negociao?, disse Rossetto.
Ele enfatizou que o governo atendeu a vrias reivindicaes da categoria e disse estar seguro ?do amplo apoio da maioria da categoria?, mesmo tendo cincia da possibilidade de paralisao, a partir de amanh (23). ?Estamos seguros de que h um reconhecimento muito grande da categoria, dos avanos. Acreditamos em um amplo apoio da categoria?. Sobre a paralisao, Rossetto apenas disse que o governo vai ?acompanhar?.
Agência BrasilFonte:
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