Em um cenário adverso plantio vai acelerando, enquanto as cotações atingem baixas históricas
MARIANNA PERES
O plantio da nova safra brasileira de soja em Mato Grosso vai sendo ditado pelo regime de chuvas. Onde choveu houve plantio e o ritmo aplicado até a semana passada – a segunda de trabalhos no campo – supera o observado em igual período do ano passado. No entanto, nesse mesmo período, os preços futuros da soja atingiram os menores patamares desde junho de 2010. Os contratos com vencimento em novembro, negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), encerraram a última sexta-feira próximos a US$ 9,10 por bushel.
De acordo com o acompanhamento semanal da semeadura da soja 2014/15, realizado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), dos 8,80 milhões de hectares estimados, 1,73% foi coberto até o último dia 25. Em relação à primeira semana de plantio, quando a área fechou o período de 15 a 18 de setembro com 0,79%, o avanço semanal é de 1,44 pontos percentuais (p.p.). Em relação ao mesmo intervalo do ano passado, a evolução é de 0,94%. A região oeste é a mais acelerada, dos 1,08 milhão de hectares projetados, 5,07% cobertos. A região nordeste ainda não deu início à safra e nas porções noroeste e norte há atraso no ritmo anual.
Apesar de o produtor mostrar preparo para dar o ritmo que o clima permitir ao plantio, ele lida com as adversidades do mercado, algo que como o clima ele não controla. E como explicam os analistas da Safras e Mercado, o mercado segue pressionado pela expectativa de safra recorde nos Estados Unidos. “O clima tem contribuído para o desenvolvimento das lavouras e para o avanço da colheita. Até o momento, os rendimentos têm surpreendido positivamente”.
A maior produção da história dos Estados Unidos vai sendo ratificada. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, sigla em inglês) aposta em uma safra de 106,5 milhões de toneladas. Diante deste cenário, o mercado só encontrou sustentação em alguns movimentos especulativos, mas que não se confirmaram, diante da pressão do excesso de oferta.
O cenário negativo externo prejudicou os negócios no Brasil. Os preços recuaram nas principais regiões de comercialização e só não caíram mais devido à valorização do dólar frente ao real. Os negócios seguem limitados e sempre no disponível, ou seja, grão da safra 2013/14. As vendas antecipadas estão travadas. No caso de Mato Grosso, por exemplo, onde as travas futuras são praxe antes de se iniciar o plantio, o volume comercializado não passa de 11%, de uma estimativa de produção de mais de 27 milhões de toneladas. Conforme o Imea, na média dos últimos cinco anos, em setembro, é de cerca de 41% da produção vendida antecipadamente. Na safra passada eram quase 39%. A retenção da produção é uma evidência clara de que os preços ofertados até o momento, não remuneram conforme o desejo do produtor, ou mesmo, não pagam a conta. Em outro estudo do Imea, com a saca na casa dos R$ 39 para o contrato com vencimento em março, ou seja, quando o sojicultor tem de entregar a produção, o valor cobre apenas o desembolso com o custeio (sementes, defensivos e fertilizantes) excluindo outras despesas do decorrer da safra. E isso ainda se dá em um cenário de produtividade de 52 sacas, ou seja, sem considerar intempéries e perdas fitossanitárias.
O resultado da pressão vinda do hemisfério Norte é a redução nos preços. A saca de 60 quilos baixou de R$ 57, no dia 18 para R$ 55,50 no dia 25, em Rondonópolis, praça com o maior valor do Estado. Na CBOT o vencimento em novembro baixou de US$ 9,71 para R$ 9,22 entre os dias 18 e 25 de setembro, acumulando desvalorização de 5%. Em contrapartida, o dólar comercial subiu 2,7% no período em questão, fechando a quinta-feira a R$ 2,43.
Diário de CuiabáFonte:
Agrolink