Idealizador e coordenador da Genolyptus (Rede Brasileira de Pesquisa do Genoma de Eucalyptus), Dario Grattapaglia foi o responsável pelo sequenciamento completo do genoma – o primeiro tendo o Brasil como líder. “Existem muitos mitos equivocados sobre o eucalipto. O eucalipto, na verdade, tem uma tripla função altamente benéfica para o meio ambiente”, afirma o especialista.
Grattapaglia desmistifica diversos equívocos e inverdades difundidas acerca da cultura – muitas delas com objetivos ideológicos. Ele afirma que o eucalipto “sequestra carbono da atmosfera, é fonte eficiente e sustentável de produção de biomassa lenhosa e contribui para a recuperação de áreas degradadas. Hoje, 100% do papel e das centenas de produtos à base de fibra de celulose vêm de florestas plantadas”.
“Além disso, o eucalipto é a base de uma ampla cadeia produtiva que emprega centenas de milhares de pessoas em todo o país e é fonte de renda em pequenas, médias e grandes propriedades rurais, sem exceção”, afirma o pesquisador da Embrapa.
A área cultivada com eucalipto no planeta é estimada em pouco mais de 20 milhões de hectares. É a árvore folhosa mais plantada no mundo, sendo que o Brasil cultiva cerca de cinco milhões de hectares e possui as maiores produtividades mundiais, derivadas de muita tecnologia silvicultural e genética superior inteiramente desenvolvidas no país. No Brasil, o eucalipto, como matéria-prima da indústria, é responsável por cerca de 2% do PIB e figura entre os principais produtos na pauta de exportação com uma contribuição de US$ 6 bilhões por ano e geração de mais de dois milhões de empregos diretos e indiretos.
O genoma vai potencializar a produtividade e sustentabilidade das florestas plantadas frente às mudanças climáticas. A decodificação da sequência completa do genoma do eucalipto resultou na identificação de todos os 36 mil genes da árvore, quase o dobro dos genes encontrados no genoma humano. A sequência publicada na revista Nature já havia sido disponibilizada online pelo projeto EUCAGEN no banco mundial de genomas (GenBank) desde 2011, com o objetivo de acelerar centenas de projetos de pesquisa aplicada que já estavam em andamento.
“O genoma do eucalipto representa um verdadeiro manual de instruções para todos os projetos que visam compreender a base genética do seu rápido crescimento e sua inigualável capacidade de adaptação aos mais variados ambientes”, ressalta Grattapaglia. Segundo ele, entender a base molecular da plasticidade do eucalipto é hoje um elemento chave para a sustentabilidade da indústria de base florestal frente ás mudanças climáticas que tendem a aumentar a incidência de secas, geadas e grandes flutuações de temperatura.
O Brasil, que tem se destacado no cenário mundial de melhoramento genético e pesquisa genômica aplicada do eucalipto, resultado de mais de 30 anos de estudos desenvolvidos por instituições públicas e privadas. Além disso, o sequenciamento deste genoma é um passo determinante para que a ciência possa expandir seu conhecimento a respeito da evolução e da biologia adaptativa de plantas perenes, o maior repositório terrestre de carbono no planeta.
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