Com a expectativa de oferta recorde de soja norte-americana para a safra 2014/15, o mercado internacional volta suas atenções para o hemisfério norte, movimento que acaba influenciando também as cotações mato-grossenses. Conforme explicam os analistas do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a Bolsa de Chicago acaba – onde os preços da oleaginosa são formados – refletindo essa movimentação nos contratos mais distantes (futuros), com as cotações operando com grande volatilidade no período chamado “Weather Market” ou “Mercado do Clima”. Ou seja, qualquer informação, especialmente que aponte para grande oferta ou possibilidade de perdas, é motivo para oscilações de preços para a commodity.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, sigla em inglês) divulgou na última semana que até o dia 25 de maio a semeadura da soja atingiu 59% da área prevista de 32,56 milhões de hectares no país. Essa informação demonstra o bom avanço da semeadura deste ano, ultrapassando o percentual registrado na média das últimas cinco safras, de 56% no mesmo período. As chuvas esparsas registradas na última semana favoreceram os trabalhos no campo, sobretudo nos estados de Iowa e Illinois, os principais produtores do grão nos Estados Unidos, que registraram percentuais de área semeada acima da média, com 80% e 64%, respectivamente. “O bom desempenho da semeadura da soja no país acaba auxiliando a expectativa de safra cheia”.
Além disso, como frisam os analistas, para o segundo semestre tem a possibilidade de configuração do fenômeno conhecido como El niño, podendo ser benéfico para a produção de soja não só nos Estados Unidos, como também no Brasil. Se isso se confirmar poderá trazer impactos negativos sobre as cotações de soja no médio prazo. Apesar disso, o momento atual é de aperto nos estoques do grão dos EUA, refletindo sobre as cotações em curto prazo.
MERCADO - As cotações internas da saca de soja negociada em Mato Grosso apresentaram média semanal de R$ 58,63/sc durante a última semana de maio. A cotação da oleaginosa na Bolsa de Chicago, que juntamente com o dólar é a principal influência para os preços praticados no mercado interno local, recuou 1,3% no comparativo entre o fechamento da semana passada e a sexta-feira anterior. O dólar, por sua vez, manteve-se relativamente estável, encerrando a semana a R$ 2,23. Os preços do mercado estadual refletiram a volatilidade do mercado internacional. Primavera do Leste apresentou menor cotação semanal de R$ 59,35, na quarta-feira passada, e fechou a semana anterior com a saca da oleaginosa a R$ 61/sc. Em Diamantino e Sorriso a oleaginosa se desvalorizou em, respectivamente, 1,9% e 1,3% em relação à semana anterior, fechando a R$ 58/sc e 57,50/sc na sexta-feira.
Diário de CuiabáFonte:
Agrolink