Especialista do Emater avalia que investimentos em manejo e equipamentos podem salvar o setor da crise
Buscar uma solução para a crise na cafeicultura paranaense não é tarefa fácil. Contudo, sempre há uma luz no fim do túnel. Para Silésio Abel Demoner, coordenador do Projeto Café do Paraná do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), uma maneira para o setor sair do buraco está no aumento de produtividade das lavouras. Durante a ExpoLondrina 2014, Demoner participará de um painel no qual serão apresentados casos de sucesso na cafeicultura que podem estimular aqueles que ainda continuam na atividade, mas pensam em desistir dela.
Segundo ele, a média atual de produtividade da cafeicultura paranaense fica entre 22 e 25 sacas por hectare (ha). Demoner avalia que para equilibrar as contas da propriedade, o ideal seria de, no mínimo, uma produtividade de 30 sacas/ha para cobrir os custos de produção e gerar uma pequena margem de lucro ao produtor.
Porém, o especialista revela que para chegar nesse patamar de rendimento é preciso dedicação e investimento em adubação, correção de solo e principalmente aumentar o sistema de mecanização das lavouras. Mesmo com preços ruins e um mercado apertado, o coordenador do Emater revela que a cafeicultura ainda pode ser um negócio lucrativo. Para ele, a falta de mão de obra tem elevado os custos de produção, por isso é necessário investir em máquinas e equipamentos, garante Demoner.
"A tendência é de que os preços da mão de obra se elevem ainda mais daqui para frente", reforça o especialista. Para os produtores familiares que não possuem recursos para investir em maquinários, ele recomenda a criação de pequenas cooperativas com o objetivo de facilitar a compra de maquinários. Segundo Demoner, o custo de produção com a utilização de mão de obra humana gira em torno de
R$ 350 por saca. Já em uma área mecanizada, o custo cai para R$ 250 por saca.
Com a redução no custo de produção, somado aos investimentos em correção do solo, o especialista garante que o Paraná pode elevar e muito a sua produtividade. Em relação às condições do solo nas principais regiões produtoras do Estado, ele explica que há localidades em que a terra possui altos índices de alumínio, cálcio e magnésio, elementos que, em excesso, prejudicam o bom desenvolvimento das plantas. "Solos com problemas necessitam ser corrigidos", completa.
Além das questões de solo, o clima também tem prejudicado a cafeicultura paranaense. Conforme Demoner, os ciclos meteorológicos no Estado não estão regulados, ou seja, há períodos de pouca e outros de muita chuva. Para compensar essa adversidade, o especialista recomenda a manutenção constante da cobertura de solo com matéria orgânica, para segurar a umidade da terra. Com isso, avalia ele, muitos problemas de deficit hídrico podem ser controlados.
Produção e mercado
Paulo Franzini, gerente do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), afirma que os preços do café começam a reagir no mercado interno. O motivo, explica ele, se deve à última quebra de safra e pelo contínuo aumento da demanda mundial pela bebida.
Em março, o valor da saca de café variou entre R$ 350 e R$ 400, contra R$ 305 a saca em fevereiro. O menor preço registrado nos últimos meses foi em novembro do ano passado, quando a saca chegou a ser negociada a
R$ 203. Por causa dos baixos preços, Franzini lembra que os produtores seguraram as vendas do grão para forçarem o aumento, que acabou acontecendo.
Ele lembra também que outro fator que motivou a elevação dos preços da commodity foi a estiagem. Com a quebra de produção, aliada aos baixos estoques, as cotações explodiram. A previsão média da safra paranaense em 2014 está estimada em 550 mil sacas de café. No ano passado, o Estado produziu 1,6 milhão de sacas. Este mês, o Deral deverá divulgar um novo balanço de safra, afirma Franzini.
Ricardo Maia
Folha WebFonte:
Agrolink