Em seu mais recente artigo para o jornal Folha de S. Paulo, a senadora Kátia Abreu defende que o Brasil deve estar atento à crise econômica da Argentina e inclusive ajudar o país vizinho a se recuperar. “Para o Brasil, no entanto, contemplar o declínio argentino com indiferença não é uma alternativa. Como dizem os diplomatas do Itamaraty, nossas relações com a Argentina não são uma escolha, são um destino”, justifica.
Ela lamenta a situação argentina: “No começo do século XX, a Argentina era uma das nações mais ricas do mundo. Sua economia está em ruínas, com produção estagnada e inflação de 30% ao ano. O desabastecimento é generalizado, as reservas cambiais estão no limite mínimo de segurança. O destino da Argentina é uma mostra apavorante do que pode fazer a loucura política. Um território pleno de riquezas e uma população educada não foram capazes de deter a destruição provocada por políticas públicas ruinosas inspiradas no populismo e na mais irresponsável demagogia”, analisa a presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).
A senadora explica porque defende um possível auxílio brasileiro aos vizinhos. “Nossas economias tem se integrado progressivamente, apesar dos problemas. Cerca de um quarto das importações argentinas provêm do Brasil e, em grande medida, são compostas de produtos manufaturados, que não conseguimos exportar para o resto do mundo”.
“Quando penso em tudo isso, chego à conclusão de que é do interesse nacional do Brasil de alguma forma apoiar a Argentina, se as coisas se complicarem, como é previsível. Se suas reservas se esgotarem e a taxa de câmbio disparar, desorganizando a economia e provocando um nível de inflação que desestabilize a própria sociedade, temos que ter algum plano para socorrer o nosso vizinho e destino de boa parte das nossas exportações”, diz ela.
No entanto, Kátia defende que a ajuda seja condicionada à reformas estruturais. “Tomar decisões difíceis nas áreas fiscal e monetária, além de abrir as instituições e o comércio para a iniciativa privada, são as escolhas que restam para salvar o país. Nesse diapasão, o eventual socorro brasileiro deve ser parte de um pacote maior, condicionado à adoção de mudanças econômicas efetivas. Se houver condições políticas para tanto, devemos apoiar uma iniciativa internacional, que poderia ser comandada pelo FMI e pelo Banco Mundial, entidades apropriadas para gerir programas de resgate”, conclui.
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