O Ministério da Agricultura (Mapa) cancelou no último dia 5 de fevereiro a permissão de funcionamento de Entrepostos de Carnes e Derivados (ECD’s) não inscritos em sua “Lista Geral”. Essas empresas garantiam o repasses dos miúdos e despojos ao mercado internacional para os frigoríficos que não estão habilitados ou não se interessam por exportar diretamente seus produtos.
A decisão provocou a revolta da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo). “A decisão eliminou a concorrência no mercado de despojos e atende interesses escusos. A Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) não conhece este mercado e emitiu a nova circular sem ouvir ou consultar o setor, embora tenham existido várias tentativas de discutir o assunto de nossa parte”, acusa o presidente-executivo da associação, Péricles Salazar.
“O Mapa está alijando centenas de empresas em todo o país que agora vão perder uma fonte de ganhos econômicos e passarão a produzir muito mais resíduos de alto impacto ambiental”, completa. Segundo ele, este universo empresarial das ECD’s emprega mais de 20 mil pessoas e será duramente atingido ao ponto de deixar de existir.
O mercado de exportações de miúdos/despojos de bovinos movimenta no Brasil aproximadamente US$ 300 milhões anuais. De acordo com a Abrafrigo, eles “têm grande significado ambiental e econômico para os pequenos e médios frigoríficos, entrepostos comerciais e produtores pecuaristas porque são produtos considerados não comestíveis no país, mas que possuem mercado garantido em países como a China, onde já estão incorporados aos hábitos alimentares. Caso não sejam comercializados, estes produtos podem ser descartados em lixões, prejudicando o meio ambiente”.
O mercado de miúdos/despojos, ou “fifthquarter”, atraiu a atenção dos frigoríficos brasileiros após a divulgação de estudos (como do Rabobank Brasil) demonstrando uma grande procura por consumidores dos países asiáticos. “Havia grande pressão sobre o MAPA para mudar a Circular 279/2004, porque é um grande negócio, já que as ECD’s respondem por quase 60% da movimentação dos miúdos/despojos”, diz Salazar.
“E aos pequenos e médios frigoríficos, que conseguiam assim converter em produtos com rentabilidade econômica o máximo possível de resíduos do abate, não restará outra saída senão descartar estes produtos. O pior, nisso tudo, é que as ECD’s estão adaptadas às exigências dos países de destino dos despojos, cujo mais importante cliente é a China, e não faz nenhum sentido econômico e ambiental atender interesses pontuais, prejudicando e enfraquecendo integralmente a cadeia da produtiva da carne bovina”, finaliza.
AgrolinkFonte:
Agrolink