No dia 10 de dezembro apenas 21% da safra havia sido vendida; no ano passado, na mesma data, o volume totalizava 35%
A comercialização da soja pertencente à safra 2013/14 ainda está com ritmo lento no Paraná e em outros estados do Centro-Oeste do País. Acostumado com os bons preços dos últimos anos, o produtor está com o dinheiro no bolso e espera novo fôlego nos valores da commodity para o ano que vem, quando for iniciada a colheita. De acordo com o último levantamento realizado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), no dia 10 de dezembro, apenas 21% da safra havia sido vendida. No ano passado, na mesma data, o número era de 35%.
No Paraná, toda a oleaginosa já foi plantada, sendo que 70% do volume ainda se encontra na fase de desenvolvimento vegetativo. A área total de plantio foi de 4,88 milhões de hectares – alta de 4% em relação à safra 2012/13 – com a expectativa de produção de 16,3 milhões de toneladas, elevação de mesmo percentual da área.
O economista do Deral, Marcelo Garrido, explica que o produtor está capitalizado e espera valores superiores aos atuais R$ 66 o quilo para a saca de 60kg (veja o gráfico). Vale lembrar que no ano passado a oferta era menor no mercado mundial e a commodity atingiu o preço histórico de R$ 74 em setembro. "O produtor não estava tão capitalizado como agora e tinha mais pressa para vender. Neste momento, ele tem condição de esperar e ver o que pode acontecer com os preços no ano que vem. É uma aposta que no geral estão fazendo", comenta ele.
O cenário atual aponta para valores entre 5% e 12% menores do que ano passado, o que diminui a liquidez no mercado. Com a safra cheia dos Estados Unidos e exportações bastante aquecidas, é natural que os preços tenham sofrido queda. Na América do Sul, a expectativa também é boa para a safra Argentina, além do Brasil, que até o momento não teve problemas na lavoura, com cerca de 90% do plantio em boas condições. "Essa recomposição de estoque foi chave para a diminuição das vendas. Acredito que os preços vão continuar nesses patamares inclusive no primeiro trimestre de 2014, quando começa a colheita", explica o zootecnista da Scot Consultoria, Rafael Ribeiro de Lima Filho.
Mesmo assim, técnicos especialistas acreditam que mesmo as safras cheias tanto do Brasil quanto dos Estados Unidos e outros países ainda não serão suficientes para repor os estoques mundiais como em outros anos. "É também por isso que os sojicultores estão esperando um pouco mais para iniciar a comercialização", complementa Garrido.
Preços
Entre janeiro e novembro desse ano, o valor da soja subiu 12%. Em janeiro, a saca estava em R$ 58,91, contra R$ 66,03 do mês passado. Até 2011, a saca estava sendo comercializada na faixa dos R$ 40. A partir de 2012, o valor da commodity passou a ficar na faixa dos R$ 60.
Victor Lopes
Folha WebFonte:
Agrolink