SÃO PAULO - O Mato Grosso, principal produtor de algodão do Brasil, vai semear 582 mil hectares na temporada 2013/14, crescimento de 28,7 por cento na comparação com a safra passada, previu nesta segunda-feira o instituto que reúne os agricultores no Estado(Imea).
O instituto elevou ligeiramente a sua previsão nesta segunda-feira, num momento em que o plantio no Estado está em fase inicial. Anteriormente, a estimativa apontava uma área de 581 mil hectares.
O plantio cresce expressivamente de uma temporada para a outra em função de muitos produtores estarem preferindo o algodão ao milho na segunda safra, prevendo melhor remuneração com a pluma.
"O que contribuiu para isso foi a situação desfavorável do mercado de milho, produtores que possuem know-how com algodão ou têm em sua região acesso à tecnologia da cultura optaram por substituir parte do milho pela fibra, afirmou o Imea.
Em condições normais de clima, a safra de Mato Grosso deve atingir 835 mil toneladas, contra 687 mil toneladas da temporada passada.
Muitos cotonicultores iniciam o plantio esta semana, com a intenção de semear o algodão primeira safra que deve chegar a 191 mil hectares. "A segunda safra ganhou mais representatividade, chegando a 391 mil hectares, o que deixa a distribuição entre 1ª e 2ª safra em 33,4 por cento e 66,6 por cento, respectivamente..."
O plantio de algodão em Mato Grosso atingiu 2,7 por cento da área prevista para a atual temporada até a última sexta-feira, segundo acompanhamento do Imea.
No mesmo período do ano passado, haviam sido cultivados 4,4 por cento da área total estimada com a pluma no Estado.
Na semana, houve um avanço 2,3 ponto percentual.
A semeadura teve início na semana passada com o fim do vazio sanitário no Estado, uma medida preventiva para evitar a propagação de pragas e doenças de um ciclo para o outro.
A área cultivada no país deve ter alta de 20 por cento ante o ciclo anterior, para cerca de 1 milhão de hectares, segundo levantamento mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
"A expectativa de firme demanda por algodão de boa qualidade sustenta o preço internacional... O produtor está confortável neste ano para aumentar a área", disse o analista da Conab Fernando Gomes da Motta.
O analista acrescentou ainda que o dado recente do Departamento de Agricultura norte-americano (USDA, na sigla em inglês) apontando uma retração na produção global é outro fator de estímulo ao produtor brasileiro.
Ele observou que o preço médio do algodão no mercado físico brasileiro estava 87,49 reais por arroba até a última sexta-feira, acima dos 83,33 reais por arroba em média na mesma semana um ano atrás.
O cenário de preços mais baixos no milho, em meio a grande safra norte-americana, é um dos fatores que está fazendo o produtor brasileiro migrar para o algodão.
(Por Fabíola Gomes e Roberto Samora)
ReutersFonte:
Agrolink