A necessidade de efetivar política industrial para fertilizantes foi um dos resultados da audiência pública realizada na terça-feira (26.11), na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados. A reunião, que tratou produção de fertilizantes e insumos agrícolas no País, foi proposta pelos deputados Afonso Hamm (PP-RS), Josias Gomes (PT-BA), Eduardo Sciarra (PSD-PR), Valmir Assunção (PT-BA) e Luci Choinacki (PT-SC).
Um dos resultados do encontro foi à proposta de realização de eventos regionais para debater a instalação de fábricas de fertilizantes. Hamm comentou sobre a possibilidade de produção desses aditivos agrícolas a partir do enxofre gerado em termelétricas a carvão mineral.
Hamm relatou sobre a cadeia do sulfato de amônia que pode ser utilizada para fazer fertilizantes. Essa possibilidade tecnológica será importante para todo país, em especial, para os Estados do Sul, que importa parte da energia que consome. “O Rio Grande do Sul compra 65% do que necessita, e no verão chega a 80%. Podemos gerar energia firme e produzir fertilizantes com os rejeitos”, defende.
Utilização
Conforme o deputado, existem cinco plantas industriais de uma empresa que detém patente e que utilizam essa tecnologia, nos Estados Unidos, Polônia, China e Alemanha. A técnica consiste em combinar o enxofre produzido pela queima do carvão mineral com amônia. “Ao invés de utilizar calcário para fazer neutralização desse enxofre, usa-se a amônia como reagente. E, assim, resultaria o sulfato de amônia, produto utilizado na fertilização do solo”, relata.
De acordo com o deputado, somente em uma planta termelétrica a carvão mineral no município de Candiota, com capacidade de 600 mw, e que está cadastrada no leilão de energia A-5 do dia 13 de dezembro, a capacidade de produção é de 184 mil toneladas de sulfato de amônia ao ano ao preço de venda de 320 dólares/tonelada.
Atualmente, o Brasil importa 78% dos fertilizantes que consome. No entanto, um dos palestrantes o secretário-adjunto de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do Ministério das Minas e Energia, João José da Mora Souto, essa dependência vai cair para 53% nos próximos cinco anos, tendo em vista que nesse período quatro novas fábricas de fertilizantes nitrogenados vão entrar em operação no País.
O assunto também foi abordado pelo pesquisador da Embrapa Solos, José Carlos Polidoro e diretor do Departamento de Fiscalização de Insumos Agrícolas do Ministério da Agricultura, Girabis Evangelistta Ramos.
Agrolink com informações de assessoriaFonte:
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