Vivian Lessa
Para escoar a produção de aproximadamente 22 milhões de toneladas de milho, produtores de Mato Grosso optam por portos alternativos para reduzir custos no transportes. A competitividade com a produção do Paraná, por exemplo, fez com que o porto de Paranaguá fosse 'substituído' pelo porto de Santarém, no Pará. O analista do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Angelo Ozelame, explica que a produção de milho paranaense também aumentou, complicando com os embarques realizados pelo porto de Paranaguá. "Além disso, pela crescente produção de milho em Mato Grosso os produtores do estado estão buscando portos diferentes para fazer o escoamento".
O preço do frete também incentiva a preferência pelo porto de Santarém, que é 14% menor se comparado ao porto de Santos. Conforme dados do Imea, o despacho do milho de Sorriso a Santarém custa em média R$ 240,00 por tonelada,enquanto o envio da produção do mesmo município até Santos, são desembolsados cerca de R$ 280,00/t.
Conforme Ozelame, esta situação fez com que o Porto de Paranaguá caísse para a quinta posição na preferência dos exportadores mato-grossenses. Assim, na tentativa de escapar do estrangulamento dos portos de Santos e Paranaguá, o porto de Santarém aparece na segunda posição, com 14,7% dos embarques do estado, somando 280,3 milhões de toneladas embarcadas somente no último mês.
"Os produtores estão preferindo andar por 300 quilômetros de estrada de chão para comercializar a produção agrícola". Pelo porto de Santos passam mais de 60% da produção de Mato Grosso, somando cerca de 1,9 milhão de toneladas de milho em agosto deste ano, de acordo com relatório da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
BR-163 - Após a conclusão da BR-163, que ligará Cuiabá a Santarém, projeta-se um volume muito maior a ser escoado pelo porto de Santarém. De acordo com o analista do Imea, Angelo Ozelame, esta condição pode trazer benefícios para o bolso do produtor, considerando que a falta de logística influencia nos volumes exportados pelo estado.
De acordo com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), os cerca de mil quilômetros de extensão da BR-163 entre Guarantã do Norte (MT) e Santarém (PA) têm obras de pavimentação em andamento e já concluídas (em 375 quilômetros). A conclusão de toda a obra, incluída no PAC, é prevista para dezembro/2015, com investimento total de R$ 1,5 milhão.
Em Mato Grosso, a rodovia conta com obras de restauração, sinalização e monitoramento de tráfego, além de trechos de adequação de capacidade (duplicação). Os principais investimentos são na duplicação de 350 quilômetros. As obras são dividas assim:
- De Rondonópolis a Jaciara – são 60 quilômetros com obras em andamento e investimento total de R$ 255 milhões – com conclusão prevista para 2016;
- De Jaciara a Serra de São Vicente são 70 quilômetros de extensão com investimento de R$ 302 milhões. A ordem de início para os trabalhos de duplicação neste trecho será emitida em outubro. Esse trecho deve ser concluído em 2016;
- Da Serra de São Vicente a Cuiabá são 48 quilômetros. A licitação das obras foi lançada e a sessão de abertura dos preços está marcada para dia 18 de outubro deste ano.
- De Cuiabá a Rosário D’Oeste são 108 quilômetros de obras, cujo editalterá abertura de preços no dia 23 de outubro..
- De Rosário Oeste ao Posto Gil, as obras nos 45,4 quilômetros de extensão estão 70% concluídas. O trecho recebe investimento de R$ 220 milhões e deve ser concluído em dezembro de 2013;
- O trecho de 25 quilômetros entre o terminal da Ferronorte até Rondonópolis será incluído no PAC e o DNIT prepara a licitação para contratação integrada (projeto e obra). A previsão é lançá-lo até novembro/2013.
Agrodebate..Fonte:
Agrolink