Poda e adubação melhoram o potencial produtivo das plantas de café, segundo pesquisadores
Os efeitos da geada sobre as plantas de café podem ser uma oportunidade para os produtores paranaenses melhorarem o potencial produtivo de suas lavouras. A avaliação é de Nelson Menoli Sobrinho, engenheiro agrônomo do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) do município de Grandes Rios (Norte), que afirma que com a adoção de um manejo adequado o produtor pode conquistar um aumento de produção nas próximas safras mesmo tendo sofrido com a geada neste ano.
Durante um dia de campo promovido pelo Emater na última quinta-feira em uma propriedade cafeeira no município de Apucarana (Norte), Sobrinho mostrou a técnicos e produtores métodos de avaliação de estragos com a geada e formas de transformar os danos em benefícios. A iniciativa contou com o apoio da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), cooperativas e entidades da região.
O agrônomo explicou que a primeira atitude do cafeicultor é avaliar o grau de comprometimento da planta. Com canivete ou um facão, o agricultor deve raspar os ramos com o objetivo de verificar se os condutores de seiva estão verdes. Segundo ele, caso a geada tenha queimado somente a ponta dos galhos, a lavoura está salva. No entanto, o especialista do Emater enfatiza que, antes de tudo, o produtor precisa esperar para ver a reação da árvore. "Depois de um mês é que o agricultor deve começar a cutucar cada pé para fazer a avaliação. Se a planta não se recuperar, o produtor deve erradicá-la", salienta.
Sobrinho avalia que há duas situações que podem ocorrer no pós-geada. Ou os produtores desistem da atividade, em caso de perdas mais severas, ou eles serão beneficiados com ela, já que, em casos mais brandos, a intempérie proporcionou aos produtores um esqueletamento natural dos ramos. "A geada nem sempre é um fator ruim. Pela sua intensidade, ela pode ter sido positiva", observa.
Depois de esperar cerca de um mês, o agricultor deve observar onde está ocorrendo a brotação da árvore. Após a avaliação, o produtor pode escolher, sob a orientação de um engenheiro agrônomo, o tipo de poda que melhor se enquadra àquela determinada lavoura. Com a intensidade que a geada afetou o Paraná neste ano, Sobrinho acredita que 10% das lavouras do Estado terão que ser recepadas, ou seja, renovar o cafeeiro.
Nessa poda, Sobrinho completa que o produtor terá a oportunidade de fazer a limpeza do cafezal, principalmente em relação ao número de brotos. Segundo o agrônomo, muitos produtores utilizam mais de um broto por planta, o que não é errado, mas pode tornar o rendimento da planta menor. Com um broto só, possivelmente o aproveitamento da luz solar será melhor para a realização da fotossíntese. Além da poda, o agricultor deve aproveitar o momento para rever as condições de nutrição do solo. "Um solo bem adubado resiste melhor às geadas e também às estiagens", sublinha.
Gustavo Sera, pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), também endossa a tese de que dá para potencializar a produção das lavouras que não foram fortemente prejudicadas pela geada. "Quando o produtor faz a desbrota da planta, deixando-a com haste única, ela passa a produzir melhor", observa o especialista. Segundo Sera, os danos da geada não foram muito grandes. Ele completa que, com um manejo adequado, principalmente o uso correto da poda, em apenas dois anos a produção pode se tornar altamente produtiva.
Sera completa que o produtor pode até mesmo aproveitar o momento para adequar a lavoura para o uso da mecanização na colheita. "Essa perda com a geada pode ser compensada se o produtor fizer o manejo correto", salienta o especialista do Iapar. Além disso, completa Sera, os agricultores também podem optar por renovar as lavouras com variedades mais produtivas. "Apesar da má notícia com as perdas de produção para a próxima safra, a situação não é tão ruim para a cafeicultura", observa o pesquisador.
Ricardo Maia
Folha de LondrinaFonte:
Agrolink