Quando a processadora de carnes norte-americana Tyson Foods anunciou que vai parar de comprar gado alimentado com uma substância promotora de crescimento amplamente utilizada, as implicações para o mercado ficaram muito claras: menos carne e preços mais altos.
A Tyson, que compra cerca de um em cada quatro bois abatidos nos EUA, informou que vai parar de comprar animais de rebanhos alimentados com o aditivo de crescimento Zilmax para proteger a saúde animal, num sinal do peso crescente dos defensores dos direitos dos animais. Aparentemente, alguns animais apresentam dificuldades para caminhar por conta do sobrepeso.
Embora a medida possa afetar as margens da Tyson ao limitar suas opções à compra de animais mais caros, alguns analistas veem um potencial benefício comercial nas exportações.
Grandes importadores como a Rússia e a China adotaram recentemente embargo à substância similar usada na alimentação suína, a ractopamina.
A Cargill , a terceira maior produtora de carnes do país, disse que não planeja alterar a forma atual de compra de gado. O porta-voz da National Beef, a quarta em carne bovina nos EUA, não comentou sobre o assunto. E a JBS USA não retornou e-mails e ligações para comentar o assunto.
"Se você tirar o Zilmax da equação combinado com o rebanho em seu menor nível em 61 anos devido à seca do ano passado, isso significaria menos carne bovina e preços mais altos para os consumidores".
Zilmax, fabricado pela Merck & Co Inc, é o produto mais recente de uma linha popular de betagonistas, sendo usado para ajudar no ganho de peso e na qualidade da carne.
O aditivo, que é aprovado pelo órgão de segurança alimentar do país (FDA), é misturado à ração e dado aos animais na etapa final do confinamento (engorda de animais em sistema fechado).
Dennis Smith, um corretor da Archer Financial Services, em Chicago, considerou que a Tyson pode ter sido motivada por um mercado externo mais lucrativo.
"Não há coincidência de que isso veio justamente após o relatório de resultados deles com comunicados sobre abertura maior de comércio com a China. Isso é tudo relacionado com o mercado exportador."
A China pode não embargar especificamente a carne produzida nos EUA com resíduos do Zilmax, mas não ter o aditivo na produção, tornaria mais fácil exportar a carne, disse Smith.
ReutersFonte:
Agrolink