Baixa oferta do produto no Paraná pode servir de oportunidade para pequenos criadores de cordeiro participarem de um mercado competitivo
Intensificar a cadeia produtiva, agregar valor à produção, reduzir a informalidade e melhorar as condições de comercialização têm sido os desafios da ovinocultura de corte no Paraná. Com um rebanho estimado em 610 mil cabeças, o setor tem crescido a passos largos no Estado, sobretudo com a criação de programas de fomento. Um dos projetos que tem ajudado a sanar os gargalos da cadeia é o Programa de Apoio à Estruturação das Cadeias Produtivas de Ovinos e Caprinos (Paecpoc), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
Criado em 2003, o programa tem por objetivo tornar o setor competitivo e, em especial, atender ao aumento da demanda e das exigências do mercado consumidor por qualidade. Segundo José Antonio Garcia Baena, zootecnista do Departamento de Desenvolvimento Agropecuário (Deagro), órgão pertencente à Seab, nunca houve uma política de incentivo à cadeia produtiva. "Até o início do programa, o rebanho de ovinos estava caindo, mas isso se estabilizou", observa Baena.
No início do programa estadual, o rebanho paranaense era de 529 mil cabeças. Desde então, não houve um aumento expressivo no número de animais. Porém, Baena observa que o setor ficou mais profissional, já que o projeto focou na melhoria do sistema de produção, incentivando a qualidade de carcaça por meio de programas de melhoramento genético e de manejo. Além disso, os investimentos também visam fomentar a eficiência do sistema de comercialização.
Em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), com o apoio de empresas, cooperativas e associações, o Estado tem trabalhado na capacitação de criadores. Desde 2003, mais de 5 mil produtores foram capacitados no Paraná, o que elevou o nível profissional dos ovinocultores. "Hoje, são cinco cooperativas vendendo carne de qualidade e com marca registrada", comemora Baena.
Com o aumento da profissionalização do setor, o zootecnista enfatiza que é mais fácil encontrar carne de cordeiro registrada e certificada, "além de o programa coibir o abate clandestino e melhorar os preços pagos aos produtores", salienta. Baena cita que boa parte da carne produzida no Paraná obedece a todas as condições sanitárias de produção. "Antes, as pessoas compravam carne de cordeiro sem procedência, atualmente elas estão vindo com marca, o que garante a sua origem", completa o zootecnista.
Ricardo Maia
Folha WebFonte:
Agrolink