Redação Passo Fundo / DM
Produtores devem se manter na atividade, mesmo com o preço recebido pela laranja valência, entre R$0,15 e R$ 0,20, por quilo. O ideal seria a indústria pagar, no mínimo, R$ 0,30 ao quilo
O preço baixo foi o maior problema encontrado pelos produtores de laranjas, este ano. Com a safra concluída e com boa produtividade os citricultores começam a fechar o caixa que, para eles, poderia ter sido mais positivo em ternos de comercialização junto as indústrias de sucos. Na região, o município de Liberato Salzano, é um dos maiores incentivadores e produtores de cítricos. Segundo o técnico da Secretaria Municipal da Agricultura, Emerson Tozi, os cítricos ocupam hoje 1.500 hectares de área, sendo que 20% com laranjas de umbigo, 10% com bergamotas e 70% com laranja valência, que é a variedade destinada à produção de suco natural. De acordo com o técnico, a média de produtividade de 20 toneladas por hectare pode ser vista como dentro da normalidade.
“Não há dúvida de que o preço abaixo do esperado deixa o citricultor preocupado, pois os investimentos nos pomares precisam continuar sendo realizados”, salienta Tozi. Mesmo com o preço recebido pela laranja valência, entre R$0,15 e R$ 0,20, por quilo, os produtores devem se manter na atividade, vista como uma boa alternativa de renda dentro das pequenas propriedades rurais. No município atualmente a citricultura é encontrada em 450 áreas de produção rural. Conforme o técnico da secretaria, a safra este ano chegou nas 30 mil toneladas, quantidade próxima da produção de 2012. Em média os pomares da valência garantiram R$ 3,6 mil por hectare de área. Já as bergamotas e laranjas de umbigo somaram bem mais do que o dobro do valor. “O ideal seria a indústria pagar, no mínimo, R$ 0,30 o quilo da laranja valência. Seria um estímulo a mais ao produtor”, completa Tozi.
Parte da produção da variedade valência é comercializada para indústrias dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Mato Grosso. O técnico da secretaria adianta que no município os citricultores investem na renovação dos pomares. A maioria, dos 1.500 hectares de pomares, está no período de produção plena. “É muito importante eles manterem os pomares sempre dentro das orientações técnicas, pois em idade avançada o pé da laranja não produz de acordo com o potencial dos pomares mais jovens”, explica.
Venda direta ao consumidor
“Para garantir um ganho maior decidimos vender a produção diretamente para aquele consumidor que gosta do suco natural da laranja”, salienta o produtor Lair Vanoni. Proprietário de uma pequena área agrícola na localidade de Santana, no município de Chapada, o citricultor praticamente abandonou a venda da sua produção para a indústria. “Eles pagam muito pouco. Não é mais viável trabalhar na atividade se a única alternativa de comercialização é a indústria do suco”, alerta Vanoni, que planta 2,5 hectares de valência e umbigo.
Segundo ele, seus vizinhos decidiram substituir o cultivo da laranja pelo plantio de grãos. Para o citricultor recebendo centavos por quilo fica muito difícil contratar mão de obra, pois a colheita é manual e, a maioria dos produtores de laranjas possui idade avançada. Conforme o citricultor, na atividade ele pode contar com a mão de obra do filho, Dieison Vanoni. Na propriedade este ano produziram 45 toneladas de laranjas. Na venda direta ao consumidor receberam em média R$ 0,80 por quilo da fruta. “No município, produtores de laranjas estão mudando de atividade, deixando a citricultura e investindo na bacia leiteira”, concluiu.
Diário da Manhã - Passo FundoFonte:
Agrolink