Entidades pedem suspensão dos leilões de arroz
Federarroz, com apoio da Farsul, Fetag e Câmara Setorial pede interferência do Ministro Mendes Ribeiro Filho para evitar desvalorização do arroz “na boca da safra”
A Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) pediu ao ministro da Agricultura Mendes Ribeiro Filho, na terça-feira (18), a suspensão dos leilões de arroz dos estoques públicos, promovidos pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O foco inicial do documento, assinado também pela Federação da Agricultura e Pecuária do RS (Farsul) e pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura do RS (Fetag) é o leilão de 100 mil toneladas no próximo dia 3 de janeiro.
“O anúncio afetou brutalmente os preços aos produtores, com impacto psicológico negativo nas cotações”, avisa Renato Rocha, presidente da Federarroz. Ele lembra que a oferta de volumes exagerados do grão dos estoques reguladores pela Conab - apesar de inúmeros alertas sobre os riscos que representam - em pleno momento em que o governo federal cria um mecanismo de renegociação de dívidas dos arrozeiros, afetará os patamares iniciais de comercialização da safra 2012/13 e a renda dos produtores.
“Isso é claro na medida em que há baixa procura nos leilões da Conab e o indicador Esalq-Bolsa Brasileira de Mercadorias - BM&F-Bovespa aponta queda contínua nos preços do arroz em casca há mais de 80 dias, acumulando 1,4% de queda em outubro, 3,2% em novembro e 4,77% até 18 de dezembro”, diz o dirigente. Segundo ele, a pressão agressiva de oferta da Conab é responsável direta pela queda de preços em plena entressafra. “Isso apesar da Câmara Setorial ter pedido ao ministro a suspensão dos leilões”, argumenta. E alerta: “Essa queda não reflete no combate à inflação, pois enquanto os preços baixaram 1,55% ao agricultor na última semana de novembro, subiram 10,69% ao consumidor”.
A Federarroz cita, no documento que o setor está abastecido pela oferta interna, as importações e estoques privados. Enfatiza a redução dos negócios e demanda pelo produto no período de final de ano e férias, o que descarta a necessidade de o governo ofertar grão ou antecipar tanto o anúncio do próximo leilão. “Há dificuldade de o produtor assimilar a razão de o governo impor a realização dos leilões, cujas vendas são pífias e trazem prejuízos ao setor”, afirma Renato Rocha. “É uma medida que, em curto prazo, levará a cadeia produtiva à nova crise e busca de apoio no governo para a comercialização, visando recuperar preços. Não é lógica a maneira com que o governo, especificamente a Conab, age: pondo a perder o trabalho desenvolvido desde 2011 pela recuperação dos preços acima do custo de produção”, acrescenta.
Segundo as entidades enfatizaram ao ministro Mendes Ribeiro Filho, se mantida em 2013 a mesma política de leilões de 2012, é grande o risco de um início de safra com comercialização abaixo do preço mínimo oficial e, sob esta situação, a necessidade de aporte de recursos para mecanismos governamentais.
Assim, a cadeia produtiva pede a Mendes Ribeiro Filho que seja suspenso o leilão do dia 3 de janeiro e retomada a discussão com o setor produtivo sobre a real necessidade das próximas ofertas, propiciando a adequação de volumes e prazos de acordo com as necessidades do mercado. Representantes das entidades e a representação política gaúcha em Brasília já fizeram contatos com o ministro e sua assessoria para expor o atual cenário de aceleração da queda dos preços. Esperam que a demanda seja atendida até o Natal. O governador Tarso Genro também será contatado para agir, já que uma queda nos preços do arroz afeta diretamente a economia da Metade Sul gaúcha.
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