CNA defende juros menores para a próxima safra
Redução das taxas de juros, ampliação da cobertura do seguro rural e mecanismos de garantia de renda ao produtor. Estas foram algumas das medidas defendidas pela superintendente técnica da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rosemeire Cristina dos Santos, para o Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2012/2013, que deve ser anunciado no final deste mês. Ela abordou o tema em audiência pública, nessa quinta-feira (14-6), na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA), do Senado, que discutiu a redução dos juros praticados nos financiamentos da atividade rural. Segundo a superintendente, estas medidas proporcionariam melhores condições ao produtor rural na próxima safra, permitindo a recuperação dos prejuízos ocasionados, neste ano, pela seca e pelo excesso de chuvas. Os problemas climáticos acarretaram perdas de R$ 20 bilhões no Valor Bruto da Produção (VBP), segundo dados que apresentou durante os debates.
“Tivemos boas safras nos últimos anos, quando muitos produtores anteciparam o pagamento das compras de insumos. Mas o produtor precisa continuar investindo. Com os prejuízos ocasionados pela seca, ele recebeu menos este ano e precisa de condições favoráveis dos bancos oficiais para não recorrer a financiamentos mais caros”, explicou.
Ao defender as medidas, Rosemeire dos Santos disse que há espaço para esta queda nos juros cobrados pelos financiamentos rurais. Lembrou que muitos programas de financiamento não têm redução dos juros há algum tempo, o que tira a competitividade do setor em relação a outros países que concorrem com o Brasil e frente a outros setores da economia do País.
A superintendente técnica da CNA reforçou, também, a necessidade de novas regras para o seguro rural, que hoje cobre apenas 7% da área plantada de agricultura no País. Na sua avaliação, o plano de safra também deve contemplar mecanismos que assegurem renda ao produtor, para evitar oscilações de preços e garantir rentabilidade ao setor. “Aguardamos com expectativa o anúncio do PAP e esperamos instrumentos que beneficiem o produtor”, completou.
Diante da elevação dos custos de produção, Rosemeire estima que o montante de recursos necessários para a safra 2012/2013 é de R$ 188 bilhões. Os preços dos fertilizantes, por exemplo, aumentaram 32% em relação à safra anterior. Defendeu, ainda, a desoneração tributária para as rações utilizadas na alimentação animal.
Participaram da audiência o secretário-adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, João Rabelo, o diretor do Departamento de Economia Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Wilson Vaz de Araújo, e o analista de mercado da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Paulo César Nascimento.
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