Superoferta de laranja ameaça mercado
Excesso de oferta em São Paulo e Minas Gerais reduz preços em plena entressafra paranaense, o que pode desmotivar o setor na próxima temporada
Cassiano Ribeiro
A entrada de uma segunda grande safra de laranja na região Sudeste do Brasil ameaça travar o mercado da fruta no Paraná na próxima temporada e causar pressão ainda maior sobre os preços do produto. O estado é dono da 5ª maior colheita do Brasil e seus principais centros consumidores ficam em São Paulo e Minas Gerais, que neste momento reivindicam apoio do governo federal para estocar um volume excedente superior ao do ano passado. “Havendo oferta maior de laranja aqui [São Paulo], a tendência as vendas do Paraná sejam menores”, afirma Maurício Mendes, presidente da Informa EconomicsFNP e consultor na área de citricultura.
Após colher a maior safra de todos os tempos – 489 mil toneladas, de acordo com a Secretaria Estadual da Agricultura (Seab) – o Paraná vê os preços do produto caírem em plena entressafra. De acordo com levantamento da Seab, de março a abril, o valor médio da fruta caiu R$ 1 por caixa (40 quilos), e está valendo R$ 9,50 no estado. “Se o governo não renovar a Linha Especial de Crédito (LEC) para estocagem, o preço pode cair mais de 10%”, acrescenta Paulo Pratinha, diretor da Cooperativa Agroindustrial do Noroeste Paranaense (Copagra). Ele diz que ainda está cumprindo contratos de vendas da safra passada e espera que o mercado se movimente com mais intensidade a partir do final de junho. O analista da Informa diz que o reflexo do cenário da laranja é lento por conta do ciclo de produção da fruta, mas sentencia que “os preços médios vão ser mais baixos do que os do ano passado. E isso vai interferir no ânimo do produtor em investir na atividade”, afirma.
Mesmo diante dessa conjuntura, a Cooperativa Integrada, de Londrina (Norte), mantém seus planos de inaugurar uma fábrica de sucos de laranja para absorver a produção de seus cooperados até agosto deste ano. Os planos de investimento na indústria, no entanto, já foram revisados. “O projeto inicial era para R$ 25 milhões, mas como não conseguimos atingir 4 mil hectares de área plantada, reduzimos o tamanho da indústria e o investimento para R$ 15 milhões”, revela Sérgio Otaguiri, diretor da cooperativa, que conta com a produção de 1,6 mil hectares. Ele admite que o primeiro indicador observado por um produtor rural é o preço, que agora está em baixa e com expectativa de cair ainda mais. “Os indicadores não são bons. Os estoques estão altos, mas esperamos que isso seja passageiro”, afirma Otaguiri.
O quadro de oferta excessiva de laranja no Brasil é impulsionado por São Paulo e Minas Gerais, dois maiores produtores da fruta, e agravado por dados de consumo em queda, tanto no país como em nações consumidoras. “O mercado comprador está vendo que existe uma grande oferta, tanto de suco como de laranja in natura, para serem esmagadas nos próximos meses no Brasil. Se aumentarmos a exportação agora, o preço cai ainda mais, porque o Brasil é o principal player mundial do produto”, avalia Mendes. Segundo levantamento da Associação Nacional dos Exportadores de Citrus (CitrusBR), mesmo que o Brasil conseguisse processar toda a safra dos dois estados, estimada em 364 milhões de caixas (40 kg cada), não haveria espaço para estocar um excedente de 1,1 mil toneladas do produto. A capacidade de estocagem do Brasil é de pouco mais de 820 mil toneladas.
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