Comercialização
O Brasil, atualmente, encontra-se entre os dez maiores importadores, absorvendo cerca de 5% do volume das exportações mundiais. O consumo médio de arroz no Brasil varia de 74 a 76 kg habitante-1 ano-2, tomando-se por base o grão em casca. Atualmente, o consumo está estagnado, apenas acompanhando o crescimento populacional. O arroz branco in natura, que passa por um processo padrão de beneficiamento para a retirada da casca e polimento (brunido), ainda é o principal produto consumido pela população, relativamente a produção do cereal no Brasil.
O brasileiro destina cerca de 22% do seu orçamento em alimentação, sendo o arroz ainda o principal produto da cesta básica. À partir de 1994 (Plano Real), houve uma expansão da massa salarial e melhoria do poder aquisitivo da população, levando à retração no consumo de arroz e à diversificação do uso de proteínas animais, massas e produtos elaborados com maior valor agregado.
Em relação ao tipo de grão preferido no Brasil, o mercado aponta uma migração de consumo do arroz Tipo 2 para o Tipo 1 e Parboilizado. O arroz Tipo 1 representa, hoje, 70 a 80% do mercado de arroz polido branco. O Parboilizado, encontra-se em expansão, representando 20% (1,5 milhões de toneladas) da demanda de arroz beneficiado, que é de 7,2 milhões de toneladas.
O processo tradicional de beneficiamento de arroz, apresenta 65 a 75% de grãos polidos (inteiros e quebrados), 19 a 23% de casca, 8 a 12% de farelo e 3 a 5% de impurezas.
A classificação do arroz esta baseada no estado físico dos grãos, que varia em relação a quebra dos mesmos, de 1 a 5, e ao tamanho de grão, curto ou longo. O processo mundial de abertura econômica ao comércio internacional, aliado ao surgimento de novas tecnologias relacionadas à informação eletrônica e comunicação para fins comercias e auxiliares na tomada de decisão, desencadearam transformações no modo de produção, comercialização e consumo de bens e serviços. As relações entre os elos da cadeia produtiva passaram a ser importantes. Os preços, produtos e a logística de distribuição e venda tornaram-se elementos inseparáveis e essenciais no processo de comercialização. O consumidor passou a ser um importante sinalizador para o processo produtivo. Além disso, ocorreu a consolidação da preferência do consumidor pelo arroz tipo "agulhinha".
A partir do início da década de 90, sob influência da globalização econômica, ocorre uma orientação para a liberalização do mercado, cujo princípio era de intervenção mínima do Governo, com redução de recursos públicos para o financiamento da produção e comercialização de produtos agrícolas. Como consequência, alguns instrumentos anteriormente utilizados pelo Governo, deixaram de existir e a política de aquisição da produção passou a não ser mais aplicada em todas as regiões produtoras de arroz, sendo pontual em determinadas ocasiões. O Governo, deliberadamente, repassou parte da responsabilidade da comercialização para a iniciativa privada, o que implicou em mudanças na cadeia.
Atualmente o Governo Federal procura adotar uma intervenção mínima que garanta o abastecimento de arroz em quantidade suficiente para o abastecimento interno e, ao mesmo tempo, preços compatíveis com a realidade do setor.
Os Contratos de Opção de Venda da CONAB, ofertados ao mercado, assim como as recompras e repasses, são comercializados em Bolsa. A CONAB procede os leilões, tentando recomprar parte dos contratos já comercializados ou repassar suas obrigações a terceiros (indústrias, exportadores, etc.). A realização dos leilões de recompra/repasse de parte dos contratos comercializados, permite que o produtor tenha a oportunidade de se capitalizar antecipadamente.
Com relação ao setor agroindustrial, observa-se que há uma concentração em pólos de produção, de beneficiamento e de empacotamento em torno das grandes agroindústrias, que estão instaladas nas regiões produtoras, em especial no Rio Grande do Sul, principal fornecedor de arroz para os grandes centros consumidores localizados na Região Sudeste e Nordeste do país.
Com relação aos preços de comercialização do arroz, estes são estabelecidos levando em conta fatores como: classe, tipo e percentagem de grãos inteiros. Os preços são diferenciados para o arroz proveniente do sistema irrigado e do sistema sequeiro.
O Estado de São Paulo, como principal pólo consumidor de arroz agulhinha proveniente da Região Sul, juntamente com o Rio Grande do Sul, pela qualidade e volume de arroz produzido, exercem forte influência na formação de preço do cereal, e, atualmente, também há a pressão das grandes redes de supermercados sobre os preços e prazos do arroz beneficiado.
Já os preços do arroz em casca pagos ao produtor, no RS, ao longo dos últimos dez anos (2001 – 2010), apresentaram redução de 31,4%, quando comparados as médias anuais da década anterior (1991 a 2000). Os Preços Mínimos de Garantia do Arroz são aprovados em cada safra pelo Conselho Monetário Nacional.
Considerando a melhoria substancial da qualidade do arroz produzido nas diversas Regiões do País - resultado conjunto das empresas de pesquisas agropecuárias, entidades representativas do setor produtivo, órgãos governamentais estaduais e indústrias de processamento - foram retirados da Pauta, o arroz dos tipos 4 e 5. Isto ocorreu principalmente na expectativa de que o setor produtivo do arroz de terras altas (arroz de sequeiro), desperte para a necessidade de padronizar sua produção - à exemplo do que ocorre na Região Sul do País - adequando à realidade de um mercado consumidor cada vez mais exigente, que busca sempre o produto de melhor qualidade.
Em termos de preços pagos ao produtor, algumas inovações foram implementadas, como a cotação do produto a cada ponto percentual de grãos inteiros, para cima ou para baixo, no lugar dos intervalos de três pontos. Nesse caso, partindo do Preço Mínimo Básico, quanto melhor o rendimento do produto, maior será o preço recebido pelo produtor. A situação se inverte para o produto de rendimento inferior.
José Luis da Silva Nunes
Eng. Agrº, Dr. em Fitotecnia
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