Farsul critica alta dos preços de fertilizantes
Os elevados preços praticados pelas empresas de fertilizantes na comercialização de insumos para safra de inverno no Estado são alvo de críticas do presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Carlos Sperotto. Segundo o dirigente, as elevações são induzidas pela alta da soja, cuja safra teve quebra significativa no Brasil, Argentina e Paraguai. “Mas isso não significa razão convincente para o aumento que ocorre.”
De acordo com Sperotto, a consequência do aumento dos preços dos fertilizantes é o agravamento da situação dos produtores atingidos pela seca. “Quem não conseguiu colher soja não está se beneficiando com o preço internacional compensatório.” Com a diminuição de renda, os produtores já apresentariam dificuldades para adquirir fertilizantes para a safra de inverno. Segundo o presidente da Farsul, apenas a ureia, componente usado em adubos, teve desde fevereiro um acréscimo de 43% em seu valor. “Esses preços praticados não tem justificativa. Queremos que as empresas, que sobrevivem desse setor, sejam fortes, mas não dominadoras.”
Um dos motivos apontados para a elevação dos preços dos fertilizantes é a alta do dólar e o aumento da procura por fertilizantes. De janeiro a março, as vendas foram 7% maiores em relação ao mesmo período de 2011, segundo dados da Associação Nacional para a Difusão de Adubos (Anda). No entanto, para o presidente do Sindicato da Indústria de Adubos do Rio Grande do Sul (Siargs), Torvaldo Marzolla Filho, os valores praticados pelas empresas apenas seguem as cotações internacionais das commodities. “Nós não fazemos preços. Uma vez que os insumos são totalmente importados, nós seguimos a cotação internacional. Isso faz com que a sazonalidade da demanda local não tenha influência nos valores.”
De acordo com o dirigente, o Brasil não tem condições de barganhar valores de insumos para fertilizantes. “Somos o quarto maior consumidor desses produtos, com 26 milhões de toneladas ao ano. Mas a China consome 120 milhões ano; a Índia, 100 milhões; e os Estados Unidos, 80 milhões. Não temos peso para brigar por preços.”
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